Artur Gomes - Juras Secretas - não fosse esse punhal de prata ou se mesmo fosse e eu não dissesse


26/10/2006


Jura secreta 15

 

domingo vinte e sete

ela cigarra em meus ouvidos

mágica sinfonia  plasma em música

em guitarras e trompetes

 

com  tua voz flecha de fogo

fluído do amor em chamas

vaza por meus poros clave de sol

crava-me em dó zarabatana

 

coisa de índio à flor da pele

quando  pele e som é  o que se ama

estando aqui Brasília  à vista

porto seguro estrada afora

 

quasar em mim pulsar agora

cristal em prisma kátia chamma

 

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Escrito por fulinaima às 16h48
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jura secreta 14

 

eu te desejo flores

lírios brancos margaridas

                         girassóis

rosas vermelhas

       e tudo quanto pétala

asas estrelas borboletas

alecrim bem-me-quer e  alfazema

 

eu te desejo emblema

deste poema desvairado

              com teu cheiro

                  teu perfume

                      teu sabor

                    tua doçura

 

e na mais santa loucura

declarar-te amor até os ossos

 

eu te desejo e posso

           palavrArte até a morte

enquanto a vida nos procura

 

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Escrito por fulinaima às 16h41
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Jura secreta 13

o tecido do amor já esgaçamos
em quantos outubros nos gozamos
agora que palavro itaocaras
e persigo outras ilhas
na carne crua do teu corpo

amanheço alfabeto grafitemas
quantas marés endoidecemos
e aramaico permaneço doido e lírico
em tudo mais que me negasse
flor de lótus flor de cactos flor  de lírios
ou mesmo sexo sendo flor ou faca fosse
hilda hilst quando então se me  amasse
ardendo em nós salgado mar

                           e olga risse
olhando em nós

flechas de fogo se  existisse
por onde quer que eu te cantasse

                                ou amavisse

 

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Escrito por fulinaima às 16h37
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Jura secreta 11

teus dentes instigam
meus instintos na trama
em que a língua
tara

trafego as tuas trilhas
e tramo a telha
que me der na tralha

palavra é instrumento solto
entre sorriso e dentes
quando a língua fala.

 

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Escrito por fulinaima às 09h43
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jura secreta 10


fosse jura o que eu quisesse
apenas um beijo
roubado em tua boca

dentro do poema
          nada cabe
nem o que sei
nem o que não se sabe

e o que não soubesse
do que foi escrito
está cravado em nós
como cicatriz
       no corte

entre uma palavra e outra
do que não dissesse

silêncio que espreita

                     morte

do que não foi parido

nunca sendo teu marido

teu amante tua caça

 

teu veneno ainda me mata

e ainda morro

quebrando a tua taça

esgaçando os teus tecidos

 


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Escrito por fulinaima às 09h28
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jura secreta 9
 
não fosse o teu pudor
meu desconforto
e eu teu anjo torto
como seria

se essa jura secreta
não fosse mais

que um beijo de amor

que te roubei um dia

e se eu não te amasse
como glauber no cinema
o que tenho aqui
no corpo em transe

a quem daria?

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Escrito por fulinaima às 09h14
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jura secreta 8
 
teu nome pode ser um elo
a ponte rio belo horizonte
porto alegre cais do porto

não fosse o gosto
que ainda tenho em minha boca
do vinho que bebi em tua boca
goiaba que roubei do teu pomar

não fosse o nome elo e ponte
ao menos fruta
que ficou no paladar

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Escrito por fulinaima às 09h03
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jura secreta 7

fosse são paulo uma cidade
ou se não fosse não importa
essa cidade me transporta
me transborda me alucina
me invade
inter/fere na retina

com sua cruel beleza

como oswald de andrade
e sua realidade
como mário de andrade
e sua delicadeza

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Escrito por fulinaima às 08h57
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Jura secreta 6

 

o que passou

não ficará já foi

a menina dos meus olhos

roubou tua menina

e levou pra festa do boi

 

salgado maranhão

nosso batismo de fogo

25 de março

e morro do querosene em chamas

no canto pro tempo nascer

 

e o amor que a gente faria

o sol acabou de fazer

 

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Escrito por fulinaima às 08h50
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Jura secreta 5

 

não fosse essas algas

água viva queimando

em tuas coxas

 

ou se fosse e já soubesse

mar o nome do teu macho

o amor em ti

            consumiria

olga savary

no sumidouro

                 dos seus dias

o couro cru

                 na carne viva

saliva em mim

tua erótica e voraz

língua nativa

 

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Escrito por fulinaima às 08h45
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Jura secreta 4

 

a menina

dos meus olhos

com os nervos

à flor da pele

brinca de bem-me-quer

 

ela inda pensa que é menina

mas já é quase uma mulher

 

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Escrito por fulinaima às 08h43
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Jura secreta 3

 

fosse essa jura sagrada

     como uma boda de

                        sangue

às cinco horas da tarde

 

   a cara triste da morte

como uma faca de dois

gumes

  naquela nova granada

 

    e fedeerico garcia lorca

naquela noite de espanha

         não escrevesse mais

       nada

 

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Escrito por fulinaima às 08h40
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jura secreta  2
 
não fosse esse punhal de prata
mesmo se fosse
e eu não quisesse
o sangue sob o teu vestido
o sal no fluxo sagrado
sem qualquer segredo
esse rio das ostras
entre suas pernas
o beijo no instante trágico
a lingua
sem que ninguém soubesse
no silêncio
como susto mágico
e esse relógio sádico
como um marquês de sade
quando é primavera.

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Escrito por fulinaima às 06h21
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Jura secreta 1

a língua
escava entre os dentes
a palavra nova
fulinaimânica/sagarínica
algumas vezes muito prosa
outras vezes muito cínica

tudo o que quero conhecer
a pele do teu nome
a segunda pele
o sobrenome

 no que posso no que quero
a pele em flor a flor da pele
a palavra dandi em  corpo nu
a língua em fogo a língua crua
a língua nova a língua nua
fulinaímica/sagaranagem
palavra texto palavra imagem
quando  no céu da tua boca
a língua viva se transmuta na viagem.

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Escrito por fulinaima às 06h17
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jura secreta

não fosse essa jura secreta
mesmo se fosse
e eu não falasse
com esse punhal de prata
o sal sob o teu vestido
o sangue
no fluxo sagrado
sem nenhum segredo
esse relógio
apontado pra lua
não fosse essa jura secreta
mesmo se fosse
eu não dissesse
essa ostra no mar
das suas pernas
como um conto
do marques de sade
no silêncio
logo depois do susto

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Escrito por fulinaima às 06h13
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