Artur Gomes - Juras Secretas - não fosse esse punhal de prata ou se mesmo fosse e eu não dissesse


08/11/2006


césar castro - trasnpirações gráficas

Jura secreta 27

 o rio com seus mistérios
molha seu cio em silêncio
desejo o que nos separa
a boca em quantos minutos
as flores soltas na fala
o pó dos ossos dos anos
você me diz não ter pressa
seus olhos fogo na sala
o beijo um lance de dados
cuidado cuidado cuidado
que sou um anjo de fadas
não beije assim  meus segredos

meus olhos faróis nos riachos
meus braços dois afluentes
pedaços do corpo do rio
meus seios ilhas caladas
das chamas não conhece o pavio
se você me traz para o cio
assim que o sexo aflora
esta palavra apavora
o beijo dado mais cedo
quebra meu ser no espelho
meu cerne é carne de vidro
na profissão dos enredos

quanto mais água me sinto
presa ao lençol dos seus dedos
o rio retrata meu centro
na solidão de mim mesma
segundo a segundo nas águas

lá onde o sol é vazante
lá onde a lua é enchente
lá onde o rio é estrada
onde coloca seus versos
me encontro peixe e mais nada

 

artur gomes

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Escrito por fulinaima às 14h49
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césar castro - transpirações gráficas

 

Jura Secreta 26

 

num tempo em que fui de minas

entre montanhas e rimas

entre os jardins e currais

forjado a ferro os canteiros

cecília e seu romanceiro

escorrem  seus dedos longos

nos versos tristes que inventa

como uma  outra cecília

sobre nomes também eu invento

 

 

diante do espelho linda e  nua

enquanto língua pele e  lua

pelo bico dos teus seios

saliva nos teus fluxos

como o cheiro dos teus flexos

quando despida em teu amor

o amor despido é  nosso sexo

cecília goza pelas  costas

e por todos  continentes

quando rio se encharca pelas frentes

quando mar transborda nas encostas

 

quando cravo as unhas rente

nos teus flancos  frente e verso

nos papéis o testamento

e seus dedos longos escorrem

em tristes outros pensamentos

e os re/versos de   cecília

no espelho também re/invento

 

artur gomes

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Escrito por fulinaima às 14h30
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06/11/2006


césar castro: transpirações gráficas

Jura Secreta 25

 

vaza sob meus pés

um rio das ostras

enquanto minha mãos em conchas

passeiam o mangue dos teus seios

e provocam o fluxo do teu sangue

os caranguejos olham admirados

a volúpia dos teus cios

quando me entregas o que traz

por entre as praias e permites desatar

todos os nós do teu umbigo

transbordando mar de búzios

- oceanos

atrlântico pulsar entre dois corpos

que se descobrem peixes

e mergulham profundezas

qualquer que seja  a hora

em que se beijam num pontal

em comunhão total com a natureza

 

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Escrito por fulinaima às 18h35
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05/11/2006


Jura Secreta 24

depois do banho de mar
cavalgamos sobre a areia branca
ela vestida de transparências e maresia
e meus olhos despidos de lua
como um espelho em teu dorso de rainha

vestida de transparências
tua pele de seda esvoaçava
com a velocidade em que nossos cavalos
galopavam beira-mar como se pastos selvagens
estivessem desbravando oceano à dentro

e o mar atlântico em um pontal
abriu-se ao perceber nossos cavalos marinhos
agora transmutados em sonhos
do que fomos ontem antes de dormir
e eu teu súdito e vassalo
continuarei a celar nossos cavalos
para os banhos de além mar

artur gomes

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Escrito por fulinaima às 01h44
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